Resenha | As viúvas


Até que ponto você iria para manter a memória do seu amado viva?

É esse o questionamento que embala a narrativa do romance policial escrito por Lynda La Plante, ‘As Viúvas’. O livro gira em torno de três personagens femininas: Dolly, Linda e Shirley, que têm uma única coisa em comum: perderam seus maridos após um assalto de van que deu errado, resultando na morte de Harry Rawlins, Joe Pirelli e Terry Miller. 

Mesmo o livro tratando sobre as três mulheres, Lynda La Plante concentra sua narrativa na personagem Dolly Rawlins, viúva de Harry Rawlins - personagem que, ao longo da trama, é apresentado como o chefe do assalto. O marido deixou para sua esposa, em um cofre no banco, livros contábeis com informações do assalto mal sucedido, que levou a sua morte e de seus comparsas, assim como os contatos de toda uma rede criminosa – o que torna esses livros valiosos para outros criminosos que sabem de sua existência e pretendem tomá-los para si. 

Dessa forma, movida por um sentimento de luta e com o objetivo de terminar o que o marido começou, Dolly irá convocar as demais viúvas para realizar o assalto de um carro forte e roubar milhares de libras. A ideia de quatro mulheres, uma quarta figura feminina irá entrar no decorrer da trama, se preparando para um grande assalto não é imediatamente algo que passa pela cabeça dos homens criminosos. E, partindo desse pensamento machista, Dolly irá elaborar minuciosamente seu plano – afinal, segundo esses criminosos, uma mulher envolvida no mundo do crime é algo impensável. 

As personagens são figuras extremamente diferentes umas das outras, mas Dolly precisa que elas, inclusive a própria, deixem suas diferenças de lado para elaborar um assalto de sucesso e não ter o mesmo fim de seus finados maridos. Enquanto está trabalhando em cada detalhe do seu plano, Dolly ainda tem que se preocupar com a polícia em seu encalço, além de outros inimigos de Harry, fazendo o possível para enganá-los. 

Apesar da trama estar bem amarrada e com reviravoltas empolgantes, as personagens ficam um pouco cansativas ao longo do enredo. São vazias e estereotipadas e, em alguns momentos, irritantes. Aliás, o desenvolvimento da história perde um pouco o sentido no meio do livro, o que é resgatado nestes momentos de “reviravoltas empolgantes”. 

Outro aspecto negativo é que o livro traz alguns diálogos que incomodam, como, por exemplo, sobre o machismo, a gordofobia e outros. Já em relação ao final da obra, a autora peca um pouco, deixando-o em aberto e com questões pendentes, o que dá uma sensação de vazio. Talvez tenha sido opcional de sua parte, ou talvez faltou criatividade em relação à essas questões pendentes. 

Mas, no geral, ‘As Viúvas’ é interessante porque conta com personagens femininas fortes, que do nada se veem sozinhas e sem experiência no mundo do crime. O objetivo de Dolly em terminar o que seu marido e comparsas começaram passa a ficar de lado e o propósito de uma mulher (ou mulheres) realizarem um assalto de sucesso torna-se o fragmento principal ao longo da narrativa, e deixa a leitura interessante. 

Cinema – Em 2018, o livro ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Steve McQueen (diretor vencedor do Oscar por 12 Anos de Escravidão). A personagem Dolly Rawlins foi interpretada por Viola Davis e, Harry Rawlins, por Liam Neeson, conhecido por filmes como Busca Implacável, O Passageiro e outros. 

Ficha técnica: 
Autora: Lynda La Plante 
Editora: Intrínseca 
Páginas: 400 
Ano: 2018 

Por Luana Souza. 
Até a próxima!

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