CN Business | Nada mais será como antes?


O que as tendências aceleradas pela pandemia nos ensinam
 
Se tem uma coisa que não dá pra negar é que, há quase sete meses vivendo uma quarentena oscilante e histórica, lições são o que não faltam. Com os dois pés no peito do mundo, a pandemia chegou, de uma hora para outra, provando que os nossos calendários programados, nossas agendas lotadas e os planos (a qualquer prazo) estão muito mais distantes do nosso controle do que poderíamos prever. 

Nunca se falou tanto em resiliência. E, no caso das empresas, essa discussão ficou ainda mais acentuada. Com planos de ações inviáveis, os negócios passaram a contar com uma única estratégia: os novos hábitos e comportamentos do consumidor. E esse é o primeiro ponto que gostaria de evidenciar aqui. 

Já há algum tempo o cliente vem ditando as novas regras no jogo do consumo. Cada vez mais exigente e ciente do lugar que ocupa, ele tem valorizado mais o seu poder de compra, escolhendo a dedo marcas alinhadas ao seu perfil. A qualidade do produto ou serviço está sendo comparada à experiência que a empresa oferece. E na medida que o “comprar” é ressignificado pelos consumidores, o “vender” ganha uma nova dimensão para as empresas. 

A pandemia fez com que você admirasse alguma marca? Se sim, o que vem à sua mente, provavelmente, não são os produtos lançados, mas o posicionamento positivo-reativo à crise. Não é atoa que os fatores em comum entre as empresas mais lembradas pelo consumidor durante este período são empatia, conexão e ações sociais. 

Nas considerações de especialistas que afirmam que as empresas avançaram 5, 10, 15 anos em poucos meses, existe muito além de digitalização. As tendências aceleradas envolvem sim tecnologia - e muita, por sinal - mas envolvem também um modelo de negócio humanizado, empático e comprometido com a construção de um mundo melhor. 

Uma das maiores lições deixadas até aqui para as empresas é que o foco deve estar primeiramente nas pessoas, nas de dentro e nas de fora. É verdade que isso já vinha se desenhando, mas agora os holofotes tomaram maiores proporções. O discurso de valor que uma campanha de marketing emite precisa estar alinhado ao que a empresa vive no seu dia a dia também com os colaboradores. Tudo isso tem sido minuciosamente observado e as marcas resilientes sabem bem disso. 

Uma das primeiras reações das empresas frente à necessidade de isolamento social, o famigerado home office, tem mostrado que ser flexível às diferentes dinâmicas de trabalho podem trazer resultados bastante significativos, como aumento na produtividade e melhora na eficiência. Aos poucos, a quantidade de horas trabalhadas vai cedendo espaço à qualidade do que é entregue. Tendência acelerada… Check! 

O trabalho remoto é a personificação de muitas das lições trazidas pela pandemia. Primeiro, ele nos deu uma bela aula de adaptação em tempo recorde; segundo, colocou em evidência algumas questões que precisam ser urgentemente revistas, como a forma que lidamos com o tempo - dentro e fora de casa - e, por fim, nos mostrou que tinha todo um potencial de uso resguardado, pronto para ser explorado. 

O “nada mais será como antes” pode soar como exagero para algumas pessoas, mas cai como uma luva no contexto das empresas que têm provado as consequências de um horizonte limitado. Dizer que precisaram se reinventar é falar apenas da pontinha do iceberg. As que têm escolha para continuar estão aprendendo, desaprendendo e reaprendendo a lidar com o consumidor.

Até a próxima!

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