Menino veste azul e menina veste rosa?

Foto ilustração

Americano, 61 anos, hétero, casado e pai de três filhos, Mark Bryan, que atualmente vive na Alemanha, prova - para quem ainda tem dúvidas - que roupa não tem gênero. O engenheiro acumula cerca de 100 mil seguidores no Instagram (@markbryan911), onde posta seus looks que confrontam estereótipos. Saias e saltos são os maiores destaques do perfil, que viralizou nas redes essa semana.
Mark Bryan | Foto 1
Mark é defensor da moda genderless (sem gênero), ou seja, defende a ideia de que não existe roupa adequada para cada gênero. Nesse mundo perfeito, mulheres podem usar gravatas e homens vestidos, sem serem questionados de sua sexualidade. Como ainda precisamos de muitos Mark’s para esse sonho se tornar realidade, o engenheiro sofre com esses questionamentos, segundo entrevista que concedeu para o Boredpanda.

“Na maioria das vezes, respondo que não é da conta das pessoas, nas outras apenas falo que sou hétero. Em alguns momentos ataco, principalmente os homens e digo ‘por que me ver com saia te faz pensar sobre minhas preferências sexuais?”, contou ao site. 

Em janeiro de 2019, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou que era inaugurada uma nova era. “Menino veste azul e menina veste rosa”. A frase que ainda circula pela internet é um exemplo de como a classificação de gênero, “quem usa o quê”, é levada em consideração pela população conservadora. 

Atualmente, na grande maioria das lojas de vestuário, as roupas são catalogadas como feminino e masculino, estampas, tons, modelagens, todos voltados para um gênero específico. Você sabia que nem sempre foi assim? Até a idade média, a modelagem das roupas era a mesma para as mulheres e para os homens. Outro exemplo é Coco Chanel, que trouxe para o guarda-roupa das mulheres peças consideradas masculinas. 

Quebrar as barreiras entre o feminino e o masculino é essencial para desmistificar vários pensamentos sociais como: “homem não chora” e “bela, recatada e do lar”, entre tantas outras frases que fomos condicionados a ouvir. A ideia da moda genderless é permitir que pessoas usem todos os tipos de roupa, que não sejam limitadas por uma determinação social. 
Foto 2 | Reprodução

Mark Bryan, o engenheiro que apresentei no início desse texto, não defende que todos os homens usem saia, mas sim que aqueles que querem, não se prendam a tabus. Os gêneros não devem limitar nossas ações, estilos e personalidade. 

Existem algumas marcas que já trabalham dessa forma, então trouxe três exemplos brasileirinhos para você conhecer! 

Isaro (@isarobrand) - criada em 2016, pela indígena Isabel Rott, que cresceu na Alemanha. A marca minimalista produz peças atemporais e agênero. 

Another Place (@anotherplace) - marca direto de Recife, criada por Rafael Albuquerque e Kika Pontual e que tem como propósito “fazer roupa com ideia, menos regra”. Priorizam fazer roupas sem gênero e com preços acessíveis. 

Galo Solto (@galosoltosaiasmasculinas) - criada por Drayson Meneses e Orlando Caldeira, a marca cria saias para homens. A Galo Solto já é queridinha de muitos famosos que prezam pela liberdade que a saia dá - em todos os sentidos.

#Legenda para cego ver:
Foto1: Mark é um homem branco e careca. Na primeira foto está com uma uma camisa roxa de mangas compridas, saia na cor cinza escuro e sapato se salto alto roxo. Cenário: paredes bege, Mark se encontra entre escadas na cor prata e chão cinza.

Foto2: À esquerda, Mark está em pé, com a mão na cintura. Veste camisa branca com gravata vermelha, com um terno preto, saia preta e salto de alto vermelho. À direita, ele está em pé com uma bolsa envelope dourada em suas mãos. Veste camisa dourada, com gravata borboleta preta, blazer preto com estampas florais em dourado, saia preta e sapato de salto alto dourado. 

Até a próxima!

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