Consumidor, empresa e colaborador: o que faz esse trio caminhar em sintonia?


Você sabe qual geração vem depois da Z? Os longos espaços de tempo que demarcavam a mudança de uma geração para outra nas décadas passadas, cederam lugar a uma indecifrável quantidade de ‘novas gerações’ que surgem a cada nova tendência solidificada.

Nesta categorização geracional que envolve os baby boomers, X, Y, Z e as mais recentes, como geração conectada e hiperconectada, são levadas em conta, sobretudo, a forma de agir e de consumir. Para mim, se trata de uma coisa só, já que consumimos conforme agimos e vice-versa. Lado a lado dessa classificação surgem os consumidores caracterizados como 1.0, 2.0, 3.0 e 4.0, por enquanto. 

O que determina cada etapa dessa evolução? Com certeza não é o tempo. Primeiro, o imediatismo em resolver um problema ou uma necessidade. Depois, o poder de poder comparar marcas. No 3.0, há ainda a recente e louvável vontade de “se ver” na marca e na versão mais recente, e com todas as outras condições agregadas, claro, a autonomia e a valorização da experiência. 

Como espinha dorsal disso tudo estão os avanços tecnológicos. Nossos hábitos de consumo têm sido constantemente transformados porque a tecnologia nos dá poder para isso. Alguns exemplos? A obsessão pela personalização, a possibilidade de um relacionamento sem horário limite de expediente, o acesso ilimitado à informação…Tudo isso compactua para que nos tornemos consumidores cada vez mais engajados e exigentes. 

E é aqui que trazemos as empresas à discussão. Como você leu e pôde perceber acima, elas estão longe de ser a ‘causa’ de algum movimento de mercado. Na verdade, a atuação das empresas está mais para um tipo de consequência. 

A pandemia, por exemplo, potencializou a era do consumidor envolvido dos pés à cabeça, pautado pelos embalos da emoção e da conexão, e o que temos visto são algumas empresas destapando às pressas questões que chegaram ao ápice para serem colocadas em xeque, como a humanização e a presença digital. 

Outras, por sua vez, sem surpresa, têm aproveitado essa onda e gozado das boas e infalíveis sacadas para se tornarem ainda mais amadas e admiradas pelo grupo de pessoas que se relacionam, dentro e fora das suas instalações. Edificadas sob um “por quê”, essas empresas entregam um motivo de existência que as tornam indispensáveis e completamente alinhadas às exigências do “novíssimo” perfil de consumidor dos últimos tempos. Chegamos então à origem deste texto: Propósito. É esse o elo entre o ciclo consumidor-empresa-colaborador. Nesta ordem. 

Consumidores têm, cada vez mais, o desejo de se sentirem bem representados pelas marcas que consomem. Cada nova geração tem reafirmado a indispensabilidade de uma conexão verdadeira e a superação do custo pelo propósito. Muito mais do que clientes, eles querem formar uma comunidade e ser parte de algo maior, que faz a diferença e influencia a humanidade. Não hesitam em deixar de comprar de uma marca favorita porque ela não vai de encontro com seus atuais princípios. 

As ações, iniciativas e campanhas das marcas precisam ir além da fachada e entregar um resultado autêntico e genuíno se quiserem conquistar a mente e o coração desse grupo aí de cima. Mais do que se posicionar, as empresas precisam tomar partido e contribuir para a sociedade de alguma forma. A ponta da demanda começa no hábito do consumidor e movimenta todos os desdobramentos de uma empresa. 

Você provavelmente deve ter ouvido ou visto a repercussão do Programa de Trainee exclusivo para negros, encabeçado por uma das empresas mais admiradas do país, a Magazine Luiza (veja aqui). Essa é uma das muitas protagonizações dessa empresa que se compromete em ser muito mais do que uma varejista que vende eletrodomésticos. Ela denota sua responsabilidade social e o seu propósito em todos os braços das suas atividades. 

Um dos indicadores que certificam de que não se trata de ‘marketing de lacração’, como alega o defensor público Jovino Bento Júnior, é o fato da marca liderar diversos rankings que apontam os melhores lugares para se trabalhar. As boas impressões não ficam apenas do lado de fora. 

O propósito tem revolucionado a forma como empresas são conduzidas e é a matéria-prima das que procuram se sobressair em meio a alta competitividade do mercado. Qualidade, eficiência, produtividade, enfim, a excelência operacional como um todo, é ‘facilmente’ alcançada por muitas. O que uma empresa tem de único é o motivo pela qual foi criada. 

No caso dos colaboradores, o propósito começa onde acaba a síndrome do Fantástico. Isso, o da Rede Globo! Algumas pessoas sofrem por antecipação pensando na volta ao trabalho na segunda-feira quando assistem ao programa. Normalmente são zero entusiasmadas com o que fazem, não se sentem parte de um todo e muito menos que impactam a humanidade. Hoje, tem se falado muito sobre o employee experience, ou seja, as ações que uma empresa promove pensando nos funcionários e em como melhorar suas experiências, buscando suprir suas expectativas e necessidades. 

Assim como para o consumidor, a empresa precisa entregar valor aos seus colaboradores. Uma empresa movida a propósito é uma empresa movida a pessoas que vestem a camisa desse propósito. 

No final, como o título sugere, são três perfis que caminham ancorados em um único pilar: o de poder fazer a diferença. São três perfis diferentes, mas totalmente conectados. Enquanto consumidor, qual marca te representa e por quê? Pense nisso!

Até a próxima!

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