CN Business | Chiara‌ ‌Ferragni,‌ ‌IPO‌ ‌e‌ ‌marketing‌ ‌de‌ ‌influência…‌


Pera lá! Vamos por partes?

Primeiro, gostaria de falar que vocês não sabem a alegria de uma colunista ao poder falar de um assunto relacionado a dois universos que ama: o dos negócios e o da moda. Rs! 

Bom, se você nunca tinha ouvido falar de Chiara Ferragni (@chiaraferragni), nos últimos dias, provavelmente, isso mudou. Manchetes de jornais como Reuters, Exame e Forbes, tiveram seu nome estampado, divulgando o seguinte fato: “Influencer italiana Chiara Ferragni quer fazer IPO dela mesma”. 

Ler isso e depois me aprofundar nas matérias, fez-me pensar sobre alguns pontos e eu queria compartilhá-los aqui com vocês. 

De cara, o primeiro questionamento foi: o que é um IPO?

Depois, imersa em exemplos no instagram - e na compra da ByNV pelo Grupo Soma (entenda aqui) -, comecei a pensar sobre como os criadores de conteúdo, aliados ao marketing de influência, vêm movimentando milhões de reais no mercado. 

Pois bem, vamos aos fatos. Acho que podemos chamar de império a carreira que Chiara construiu nos últimos 10 anos. Ela é considerada uma das pioneiras no mundo da influência digital, tem cerca de 21,7 milhões de seguidores no instagram (@chiaraferragni) e é uma grande empreendedora de sucesso, a frente das marcas Sisterhood, Serendipity e o TBS Crew, que faturaram, juntas, mais de 30 milhões de euros em 2019. 

E agora, ao anunciar a um jornal italiano que pretende fazer IPO ‘dela mesma’, Chiara pode ser a primeira influencer a fazer uma oferta pública inicial para monetizar seu estilo de vida. 

Mas o que isso significa na prática? 

Confesso que estou há alguns dias mergulhada neste assunto e gente… Querer aprender sobre mercado financeiro é um caminho sem volta - inclusive, falaremos mais disso adiante. 

IPO, Initial Public Offering ou Oferta Pública Inicial, diz respeito ao primeiro movimento que uma empresa faz para se tornar uma empresa de capital aberto. Ou seja, ao fazer um IPO, uma marca libera, pela primeira vez, parte de suas ações para venda ao público em geral, por meio da bolsa de valores. O principal objetivo, claro, é obter recursos para fazer o negócio expandir. 

E o que o caso da Chiara tem de especial? 

Por exemplo, uma pessoa que investe na B3 - a bolsa de valores aqui do Brasil - espera um lucro em cima da valorização da empresa escolhida para injetar o seu dinheiro. 

O pioneirismo da influencer na bolsa se dá na estreia de uma marca individual, criada exclusivamente por meio da influência digital. Ao abrir capital na bolsa de valores de Milão, Chiara dá a possibilidade para que potenciais investidores (e ela própria, claro!) lucrem em cima da sua ‘persona’, ou seja, da sua influência, do seu conteúdo, da sua imagem. De acordo com a Reuters, o grupo Ferragni poderia gerar cerca de 80 milhões de euros. Quatro vezes mais que as ações da Prada.


Loucura? Melhor analisarmos algumas informações antes de qualquer conclusão. 

A internet se tornou um dos meios mais consumidos nos últimos anos. Você sabia que, só no Brasil, as pessoas ficam quase quatro horas por dia checando seus perfis digitais? Ocupamos o segundo lugar no ranking global. É… podemos dizer que somos bons nisso. 

E o modelo de negócios baseado no marketing de influência vem acompanhando o ritmo. De acordo com o Influencer Marketing Hub, as marcas investem de 10 a 20% de seus orçamentos promocionais em influenciadores. Em 2019, isso se traduziu em um total de 6,5 bilhões de dólares, quatro vezes mais do que em 2016. 

Sem nenhuma surpresa, os impactos da pandemia alcançaram também esse movimento. Só lá, nas primeiras semanas de pandemia, a Squid - empresa especializada em marketing de influência - percebeu um aumento de 24% na taxa de engajamento dos criadores de conteúdo e 27% no alcance do stories do Instagram. 

Eu já fui - e você, muito provavelmente também - influenciada a consumir algo a partir de um publipost. As resenhas de produtos passaram a ganhar um “rosto” conhecido e fazer parte cada vez mais do nosso dia a dia. O marketing de influência tem relação com outros dois pontos super importantes: primeiro, os novos hábitos de consumo; segundo, a humanização das marcas. 

Tudo aponta para holofotes cada vez maiores em cima de influenciadores digitais e, consequentemente, no marketing de influência. Em janeiro deste ano, falava-se em projeções em torno de 15 bilhões de dólares em 2022. Eu arrisco dizer que a era pandêmica jogará este valor ainda mais para o alto. 

Voltando à Chiara, bom… Pra mim, ela deu asas a uma tendência. Posso apostar que em um curto espaço de tempo, este tipo de “auto-IPO” estará consolidadíssimo e mais, com muito dinheiro envolvido e investidores mergulhando de cabeça na ideia.

Até a próxima!

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