(Sobre)vivendo de memórias felizes!


A coluna dessa semana não é sobre dicas ou assuntos da cultura pop. Mas sobre felicidade e alegria. Segundo o dicionário, felicidade é o estado de plena satisfação de uma determinada situação, há pessoas que a vêem como a simples e pura sorte. Enquanto alegria é o acontecimento feliz, é o momento de satisfação em uma situação específica, como, por exemplo, o nascimento de uma criança ou a conquista de algo muito desejado.

Quando pensei em escrever sobre isso, me peguei lembrando do dia mais alegre e que me gerou um estado de felicidade. E foi justamente saboreando essa lembrança muito boa que pensei: “porque não escrever e compartilhar histórias reais sobre esses dias felizes?”. Foi então que entrei no meu perfil do Instagram (@felipinhosoares) e pedi para que as pessoas que me seguem mandassem sobre essas memórias de dias alegres. Foram histórias incríveis compartilhadas comigo. Tive a autorização de todas elas para expor aqui e mostrar como o conceito de felicidade é muito complexo e íntimo para cada pessoa. 

Heloisa e Caio em sua primeira viagem juntos
(Crédito: Arquivo pessoal/Heloisa Corso)

Por exemplo: para Heloísa Corso, o dia mais feliz foi a ida para a praia com seu namorado Caio. Sendo a primeira viagem deles sem a família, o sentimento de alegria que tomara Heloísa fez com que ela tivesse a percepção de ser o início de uma jornada muito feliz ao lado do namorado, fazendo, também, com que ela sentisse que estava extremamente satisfeita com tudo e que o mundo havia se alinhado e a felicidade estava para si. 

No entanto, para Giulia Vibosi, um dos dias mais felizes de sua jornada, até agora, foi estar presente em um show. A primeira lembrança que vem a cabeça de Giulia é de estar acompanhada da família no show da banda que tanto admirava na adolescência. A alegria que tomava conta do seu corpo era expressada através da euforia de ver sua banda favorita além da televisão. “Foi um momento muito especial pra mim”, disse Giulia. Estar em um lugar como aquele, tomada por todo aquele momento extremo de satisfação, mesmo tão nova e junto com a família, possibilitou que ela acreditasse que os sonhos pudessem ser reais. “Me ajudou a amadurecer a ideia de que sonhos, por mais bobos que sejam, podem sim se tornar realidade”. 

Já a história da Luana Souza é muito parecida com a minha, em muitos aspectos. Para ela, o dia em que o universo esteve todo em ordem e a seu favor, foi quando passou no vestibular. Após três anos de tentativas, vendo os amigos chegando à metade de suas graduações, o coração de Luana estava ficando cada vez mais apertado por não chegar a sua vez. No dia do resultado oficial, ela estava em casa e, quando viu que, finalmente, havia conquistado a vaga pela qual tanto lutou, foi tomada pela alegria em forma de choro. Ligou para a mãe e comemorou a vitória. Sua felicidade foi tão grande que se estendeu e tomou a mãe do outro lado do telefone, também em prantos de alegria. “A sensação foi incrível e ao mesmo tempo um peso saiu das minhas costas. Realmente, não vivi nada parecido como esse dia!”. 

Quando eu, Felipe, me senti assim foi exatamente no mesmo dia que Luana. O ano de 2017 foi um ano um tanto pesado, com muitas coisas para serem decididas em pouco tempo. Aproveitava a maioria do tempo livre para focar no vestibular, mesmo sem saber onde queria chegar. Estava confiante, mas com um pé atrás e com o medo da frustração. Lembro que, naquela manhã de 24 de janeiro de 2018, eu estava assim como Luana: sozinho em casa. Como de costume, meus pais foram trabalhar e eu fiquei. Era o grande dia. O divisor de águas. 

Minutos antes do resultado, liguei para uma amiga e ficamos conversando até que chegasse o momento. Ela desligou, eu consegui entrar no portal que estava muito congestionado. A resposta veio e eu havia sido aprovado. Juro que naquele momento tudo parou. Meu coração subiu até a boca e a falta de ar tomou meus pulmões, e essa sensação só aumentava. Eu chorava como uma criança, tinha vontade de sair correndo pela casa, gritar aos quatro cantos. E eu gritei! As coisas começaram a acontecer tudo ao mesmo tempo, meus amigos me mandando mensagem, eu chorando com o telefone na mão tentando falar com a minha mãe. Ela me atendeu e eu, eufórico a um nível muito alto, me tremendo inteiro, chorando, com falta de ar e ao mesmo tempo pulando, disse: “EU PASSEI, ESTOU TENDO UM TRECO MÃE!” - sim, essas foram as únicas coisas que consegui dizer naquele momento - e ela me respondeu o seguinte: “CALMA, NÃO DÁ PRA MORRER AGORA”

Em palavras, essa experiência parece não ter sido lá aquelas coisas, mas foi tão boa e tão única, que não tive nenhuma que chegasse ao mesmo patamar. Muitos outros momentos de alegrias eu vivi, estou vivendo e espero viver bem mais. Mas, como aquela, jamais tive. Hoje, mesmo com alguns perrengues, esse instante de alegria tornou-se felicidade para mim. Para saborear esse gostinho e, também, para que não caia no esquecimento das vivências do dia a dia, todas as vezes em que me deparo com uma situação complicada ou de desânimo, eu paro, olho para trás, lembro desse dia muito louco, refresco a memória lembrando desses instantes de alegria que me tomou por inteiro naquele 24 de janeiro de 2018. Respiro fundo e continuo. 

A felicidade e a alegria podem ter muitos significados para muitas pessoas. Olhando para as vivências da Heloísa, da Giulia e da Luana, pude ver que cada uma, na sua realidade, pôde desfrutar de alegrias que para uns são uma coisa boba, mas que para elas nada se compara. 

E o que eu quero dizer com tudo isso? Quero te dizer que nada pode te fazer feliz a não ser você e teus momentos singulares. São experiências suas, vivências que só você passou e só você pode relembrar e desfrutá-las como quiser. Não importa o quão tolo pareça para os outros, se te fez sentir alegria e traz felicidade em estado pleno, este momento é somente teu. Por mais que 2020 esteja sendo um ano conturbado (em todos os aspectos) precisamos lembrar das coisas boas que foram vividas e nos reabastecer todos os dias, crendo que vai passar e que outras memórias extremamente felizes podem e vão acontecer. É preciso (sobre)viver dessas memórias únicas. 

Eu fico muito feliz de saber que chegou até aqui e, para encerrar, quero que pense agora: QUAL É A SUA MEMÓRIA QUE TE TRAZ A UM ESTADO PLENO DE FELICIDADE?

Até a próxima!

0 comentários