Influencers: A mudança na produção de conteúdo nas redes sociais



A pandemia do novo coronavírus veio para mudar tudo de forma radical. O jeito que nos vestimos, que nos alimentamos, que trabalhamos e, principalmente, o que consumimos nas redes sociais e plataformas digitais. Estamos passando por um processo de ressignificação das coisas e isso afeta, diretamente, os conteúdos e as pessoas que seguimos nas mídias sociais. 

Muitas pessoas passaram a procurar perfis de influencers que tragam uma noção do que é real, deixando de lado aquela idealização de mundo e vida perfeita. A influência verdadeira vai muito além do que é idealizado. Trazer conexões reais e que partilhem da mesma situação que a nossa, neste período, tem muito mais significado do que antes. 

Com parte da população do país em isolamento e distanciamento social, o consumo de conteúdos digitais aumentou. Os influenciadores relatam que a visualização de seus conteúdos dobrou. O Youtube anunciou que o consumo de vídeos na plataforma teve aumento de 70% nos dois primeiros meses de isolamento no Brasil. As lives saíram em disparada, nessa mesma pesquisa sobre o aumento do consumo de vídeos na plataforma, a empresa falou que houve um aumento de 4.900% por busca de lives no início da pandemia. 

Nesse aumento de conteúdo, o influenciador não tem mais a viagem, o restaurante e o grupo de amigos, ele tem só a casa dele e a realidade que era pouco pautada antes. A mudança na produção de conteúdo precisou ser imediata. O momento é fundamental para levantar discussões que não sejam centradas mais na vida pessoal e sim, no entorno. A pandemia fez com que nós, consumidores de conteúdo, ressignificassemos as coisas e tudo o que está envolta. Talvez, essa ‘tendência’ e novo modelo de conteúdo criado siga depois disso tudo. 

O ‘ser influencer’ ficou muito banalizado dentro de setores do mercado de trabalho. A profissão de influenciador, hoje, é consequência das produções dos chamados Creators, que fazem um conteúdo responsável, honesto, real, motivacional, dentre outras coisas. Criando esse vínculo com o público é que se pode ser denominado como um influenciador digital. Há pesquisas que apontam os tipos de perfis a serem mais consumidos nesse período pandêmico, sendo eles os de alívio mental (entretenimento), produtividade, praticidade e de exercícios físicos. 

Assim como os criadores digitais, as marcas estão transformando-se. Elas sempre falaram de si e de seus produtos, no entanto, como agora as vendas e consumo de produtos foram reduzidos pela população, muitas perceberam estar perdendo público. A reconexão com a essência do consumidor, dos produtos e da própria marca em si está acontecendo, moldando os métodos de comunicação com a massa. 

As redes sociais não são só redes de comunicação, pessoas faturam e empresas patrocinam. Isso, no entanto, não dá ao criador de conteúdo a autoridade ou liberdade para falar sobre o que quer. O papel do criador digital é, também, de responsabilidade com seu alcance de público. Por isso, influencers são alvos de muitas críticas e são bastante cobrados pelas marcas que são patrocinados e pelos seus consumidores. 

No momento mais complicado que estamos passando no Brasil, em vários setores, há muitos Creators que fazem um total desserviço para seu público, trazendo posts totalmente alienados e fingindo que nada está acontecendo ao seu redor. Quantidade, qualidade e relevância são o que as pessoas mais procuram consumir no Instagram, por exemplo. Posicionamento é que mais tem gerado polêmica nesses últimos tempos. O público pede posição de seu influencer sobre os assuntos. Uma fala pode atrair multidões e pode afastar da mesma maneira. 

Os influenciadores do pós-pandemia podem ser totalmente diferentes dos atuais. A conexão pelo que é real, por assuntos mais sérios dentro da sociedade podem (e vão) ser mais destacados depois de tudo isso. A pandemia parou o mundo e ao mesmo tempo deu o start para repensar o consumo de conteúdo ilusório e desenfreado que estava acontecendo. A internet nos deu a falsa sensação de vidas perfeitas, pessoas perfeitas, de produtos incríveis, os quais destoam brutalmente da realidade que é vivida. 

 O novo normal tende a fazer com que os produtores de conteúdos sejam mais honestos, deixando de mostrar somente os melhores momentos editados. Mostrando que mais vale a pena a produção do real do que a superprodução do ilusório.

Até a próxima!

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